Léo tem sete anos e faz a lição de casa por meio de um aplicativo educativo. Enquanto estuda, consulta periodicamente as mensagens no WhatsApp e a quantidade de “curtidas” que obteve no Facebook. Além disso, observa seu irmão jogando videogame para saber quantas “vidas” restam. O resultado é que Léo apresenta problemas graves de aprendizagem – e a atenção está no cerne do problema.

“A crise na educação é uma crise de atenção”, decreta a pesquisadora canadense Catherine L´Ecuyer – autora do livro “Educar na Curiosidade” e palestrante do 3º Seminário Internacional de Educação Infantil (SIEI), ocorrido em São Paulo (13/12/17). “Por serem muito estimuladas, as crianças se sentem entediadas com a baixa sensibilidade do mundo real. Desenhos animados de hoje possuem até 59 quadros por minutos, contra sete das décadas anteriores. Assim, elas se desadaptaram da realidade”, enfatiza.

Particularidades

Segundo L´Ecuyer, a atenção envolve uma expectativa do que irá acontecer, sem filtro ou preconceito. Isso torna a criança e o jovem protagonistas do processo de aprendizagem. “Já a fascinação é passiva. A pessoa espera o que receberá, sendo constantemente estimulada pela tela”, explica.

A pesquisadora defende que, para os mais novos, a verdadeira atenção nasce do contato com a realidade. Assim, depende dos sentidos para acontecer. “A criança aprende por meio dos sentidos, porque não tem capacidade de abstração. Já o mundo virtual é como as sombras da Caverna de Platão: são apenas reflexos da realidade. Nesse sentido, é preciso descobrir a realidade como lugar privilegiado de aprendizagem”, complementa.

Recobrando a atenção

A primeira dica de Catherine L´Ecuyer para que a atenção beneficie a aprendizagem é desenvolver atividades pedagógicas que requerem paciência, como criar uma horta na escola ou reservar um horário de leitura. A segunda é estimular atividades desestruturadas, como as brincadeiras. “As crianças continuam curiosas, o que mudou foi a realidade. Elas enxergam o mundo mais por telas do que por janelas”, conclui.

Para completar, a pesquisadora indica que os alunos não executem diversas atividades simultâneas. “Eles intercalam a atenção dada a cada atividade, executando-as separadamente. Pesquisas mostram que pessoas multitarefas não conseguem guardar informações ou fazer boas escolhas baseadas na relevância”, justifica.

Por fim, os pais também devem dar o exemplo – principalmente no caso de filhos matriculados na Educação Infantil. “Quando a criança vê o objeto, ela olha imediatamente para o seu vínculo principal para saber se ele está olhando também e como é o seu olhar. Se o adulto não der atenção, ela também não dará”, resume. “Em um dia, uma criança tem até 100 interações trianguladas com pessoas mais velhas”, finaliza.

Talvez Você Também Goste

Festas religiosas na escola: como abordá-las de forma laica e inclusiva?

Especialistas apontam alternativas pedagógicas para tratar Páscoa, Festa Junina e Natal

Naruto ajuda a ensinar conteúdos de ciências da natureza

Elementos ficcionais da narrativa podem ser associados a ATP, homeostase e reações químicas

“O gênio do crime”: 6 atividades interdisciplinares para o ensino fundamental

Professores compartilham propostas que relacionam língua portuguesa, história ou artes à leitura da obra

Receba NossasNovidades

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.